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As Marcas, Até as Ruins, Dizem Muito

Pensar Design

Minha amiga Edicy me pediu pra comentar sobre a "nova" marca do Governo Federal, e confesso que faço força para, novamente, olhar para mais uma oportunidade perdida de posicionamento de marca desse país, que vai sendo desenhado na base de compadrios e linhas tortas.


Portanto, vou ser breve. 


O que a "nova" identidade nos diz, assim como aconteceu com a marca da Copa do Mundo, é o quanto uma marca, mesmo uma pobre marca, é reveladora e comunica. Aqui, o que se vê é o sinal da continuidade pretendida entre o governo anterior e o novo, na forma do que chamamos de "face lift" de marca: um redesenho que tem como objetivo sinalizar permanência e pouca ousadia. Uma pequena mudança, enfim.


Não quero entrar no mérito da forma, comentando tipografia, cores e estrutura do desenho, que são pobres assim como o eram na marca de origem, a do governo Lula, uma lastimável sobreposição caótica de elementos, com resultado que se assemelha a uma favela gráfica. "Face lift" é um recurso que funciona, em marcas e na vida, quando a versão original tem alguma qualidade a ser refinada.


O que mais me chama atenção, aqui, é o que se perde, novamente, em termos de imagem de nação. Pela primeira vez na história deste país, uma mulher assume o mais alto posto do governo. Olho para a nova marca e não vejo nada que possa retratar remotamente essa tão relevante singularidade, sinalizando um outro jeito de agir, a presença de um feminino que daria uma nova perspectiva ao exercício do poder. Um feminino que, quem sabe, não está na marca porque não está na realidade do momento ou do processo.


As marcas, até as ruins, dizem muito. 


- Ronald


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